Biografia do Pintaca - Livro em 66 Capítulos
Já em pleno funcionamento no Teatro São José, o Cine passou a exibir um seriado intitulado “O Rei dos Gaúchos”, cujas estrelas eram o “mocinho” Tom Mix e seu alazão ensinado Tony, e como devia ser, sua indumentária consistia num largo cinturão de couro sobre as calças, com revólveres eternamente carregados em cada lado da cintura. As balas nunca acabavam.
No tempo do cinema mudo, na frente da tela, no chamado “buraco da orquestra”, o Maestro Napoleão Portiolli conduzia uma orquestra formada por músicos da cidade. Quando o filme era dramático, ele tocava valsas, canções e fantasias, todos grandes sucessos da época; quando era comédia ou policial, ouviam-se chorinhos, sambas e fox-trot. Meia hora antes da projeção, a orquestra de Napoleão Portiolli, pai da saudosa Iolanda, avô de José Maria André, já dava uma canja para aqueles que chegavam mais cedo.
Entre os bairros do Tucura e do Cubatão, ao final da rua José Bonifácio, havia um enorme bambual junto à rua. Pertencia à família do chacareiro, os Guardias. Quando a noite chegava, pouca gente se aventurava a se locomover do Tucura para a cidade, devido ao boato de que o bambual era assombrado. Aquele lugar, após as 20 horas, se transformava num trecho deserto.
De certa feita, meu pai foi convocado para trabalhar como pedreiro em uma obra de reforma do prédio da Casa Cardona, onde era publicado o jornal “A Comarca”. O pai me disse: “- O “seu” Cardona está precisando de um menino de recados. Você quer ir trabalhar lá? Você pode ir depois da escola. Você vem pra casa, almoça e vai para o trabalho – da uma às cinco e meia. Aceita?”
Tive um tio que deixou a batina para se casar com uma das Filhas da Congregação de Maria, Marietta. Pelo que consta, o casamento deu-se com a anuência da Santa Sé, o que não vem ao caso, e só citei esse tio pela importante colaboração em minha vida cultural, porque o período escolar não foi fácil.