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Biografia do Pintaca

Biografia do Pintaca - Livro em 66 Capítulos

Capítulo 25

Quando estava trabalhando na montagem do show da semana seguinte, onde reprisaria a música “Boneca de Piche”, com a filha do Malheiros, o carteiro entregou uma correspondência do Ministério da Guerra e, ao abrir, quase chorei: tratava-se de uma convocação para eu me apresentar em São Paulo. Soube que outros amigos também haviam recebido igual mensagem para integrarmos a Força Expedicionária Brasileira, pois o Brasil havia aderido à Segunda Guerra Mundial.

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Capítulo 26

Apresentamo-nos ao Comandante do 5º Regimento da Infantaria de Lorena e, dali em diante, estávamos obrigados a seguir as normas do Exército Brasileiro. Pela manhã, o corneteiro tocou a alvorada. Levantamo-nos e vestimos roupa de ginástica. Uma hora depois, suávamos em bicas pelo pesado treinamento e tomamos banho frio. Retornamos ao alojamento e vestimos a farda completa, mais mochila e fuzil. Nossos nomes transformaram-se nos números que recebemos no pátio: eu me chamava 2443, não mais Orlando. A milhar do cavalo era a minha identificação, esse animal sofrido. “Quanta ironia!” – pensei, vaticinando o que me esperava.

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Capítulo 27

No jantar, recebemos a comida dos caldeirões, feita pelos cozinheiros do quartel. À noite, permanecemos no comboio, dois em cada banco, dormimos sentados, pois atravessávamos uma zona perigosa, conforme instrução do oficial. Avançamos noite adentro. Por mais que procurássemos ver pelos raros pontos de luz das cidades pelas quais passávamos, não conseguimos identificar a posição, o nosso destino. Ao amanhecer, o comboio parou numa pequena estação, em linha paralela à normal, sem casas por perto, e veio a instrução: “-Desembarquem, sem sair do espaço do trem. Vão receber alimento. Banheiro, usem o mato anexo à linha.”

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Capítulo 28

Eu estava descontente com todas aquelas marchas e os pesados exercícios físicos. No Tiro de Guerra, era responsável pela fanfarra e tocava clarim. Por que não fazer o mesmo no Exército? Fiz amizade com um cabo corneteiro de Taubaté e escutei um papo de paulista contando vantagem, que estava engajado no Regimento já alguns anos, coisa e tal, e eu propus: “-Olha Cabo, vamos formar a Banda do Batalhão?” Ele retrucou: “-De que jeito? Nem sei onde estamos!” Eu não desisti: “-Façamos o seguinte, Cabo, há mais quatro corneteiros, eu também sei tocar. Formaremos a banda com tambores e cornetas. No primeiro feriado dessa cidade, se o Batalhão desfilar, sairemos pelas ruas tocando uns dobrados. O Comandante há de nos escutar nessa idéia. Vamos pedir para o Capitão fazer a nossa apresentação a ele.”

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Capítulo 29

Todos os meus esforços se concentravam no ensaio da Banda do Batalhão. Eu cuidava da percussão e o Cabo-corneteiro, do sopro. Após algumas semanas, a percussão estava pronta, mas o sopro estava desarmonioso e deplorável. O Cabo, preocupado e nervoso, mandava, sem delicadeza: “-Assoprem com força, rachem a boca, mas quero todos tocando o primeiro dobrado na semana que vem.” E eles ensaiavam sem parar. Também eu ensaiei muito bem os surdos, tambores e caixas. Eu era o mais alto da banda e escolhi tocar o “charutão”, que tinha 1,30 de comprimento e 0,40 de diâmetro. Cada pancada emitia um som dos mais fortes, que ribombava pelo pátio afora. Eu seria o marcador de ritmo.

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