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Biografia do Pintaca

Biografia do Pintaca - Livro em 66 Capítulos

Capítulo 10

Naquela época, existia ao lado da antiga Matriz de São José, com frente para a praça, a Sorveteria Botelho, do espanhol José Botelho, o armazém do Compadre Alfredo Tomaz e a primeira residência da família Oliveira Andrade, bem como algumas casas antigas. Do lado de cima da praça Rui Barbosa, na esquina da rua Chico Venâncio, existia o armazém dos irmãos Alvarenga, o bar do Paulino Albejante, a sede do Mogi Mirim Esporte Clube, a relojoaria de Antônio Coppo, a Torrefação do Café Coppo e a loja do Ângelo Marques e de seu avô, Senhor Antônio Marques Rodrigues.

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Capítulo 11

A Casa Cardona imprimia convites de casamentos e batizados, de festas e bailes, cartões de visita e talonários, pois dispunha de completa gráfica, uma das bem-aparelhadas da região da baixa mogiana. Na Casa Cardona, eu era uma espécie de boy de recados, levava as contas dos fregueses, entregando-as em domicílio e fazendo cobranças. Minha mãe confeccionava roupas para homens e mulheres, ternos completos e vestidos da mais moderna linhagem. À noite, eu a ajudava na costura, cerzindo as casas para os muitos botões que pregava nas camisas, paletós e calças. Vitalina era costureira de mão-cheia!

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Capítulo 12

Na época em que tinha dez anos, “ninguém corria e todos chegavam a tempo”. Mais alguns anos e vi estourar a Revolução de 32, quando veio do sul um baixinho, fardado de general, de nome Getúlio Vargas, que comandou uma ditadura de quinze anos. Os demônios estavam soltos. Soubemos muitas ocorrências dos soldados paulistas na cidade de Mogi Mirim, inclusive que molestavam sexualmente as moças com as quais namoravam. Os pais haviam encaminhado reclamação aos oficiais, os quais avisavam para “tomar conta das cabras, pois os bodes estavam soltos.” Que fala decepcionante para todos!

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Capítulo 13

A Igreja Matriz de São José era o centro da religiosidade e promovia grandes procissões. Nos bairros, as capelas arregimentavam o pessoal, que se dirigia ao centro da cidade para louvar o padroeiro, São José. Lembro dos Monsenhores Jerônimo Baggio e Moysés Nora, este, português dos mais severos, intolerante às outras religiões, mas abria exceção a um espírita que, aliás, Nora admirava muito: o Senhor Juca de Andrade. Quando ambos se encontravam nas ruas, havia um respeitoso cumprimento por parte de Nora, em reconhecimento ao trabalho de Juca de Andrade em prol dos católicos e de toda a sociedade mogimiriana. A Igreja de São José localizava-se no meio da Praça Rui Barbosa, de costas para a Rua José Bonifácio, local onde fui batizado, e foi demolida em 24 de março de 1929, para a construção da nova Matriz.

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Capítulo 14

Eu deveria ter uns nove anos, quando apareceu na cidade um cidadão que fora contratado para a filmagem de um documentário sobre as festas religiosas da cidade. Naquela manhã, minha mãe havia me pedido que fosse ao armazém do tio Eugênio Malvezzi (esquina das ruas do Mercado e 13 de Maio) e, ao atravessar a praça, deparei-me com o “cineasta” pronto para tomar cenas em sua pesada filmadora - um caixote preto com manivela e uma objetiva acomodada no tripé. O cidadão me pediu que desse uma volta pela calçada, fosse até o sorveteiro da esquina (do Zé Botelho) e que comprasse um sorvete. Ele me deu um dinheirinho e eu fiz tudo direitinho, enquanto ele rodava a manivela do caixote.  Esse filme, dizem, está no nosso Museu, mas, de verdade, nunca o vi e nem consegui saber quem o havia encomendado. Foi minha primeira atuação artística.

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