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Capítulo 18

O carnaval era motivo de orgulho e preocupação aos tucurenses. Em 1930 e pouco, havia um salão na Rua do Tucura, onde se realizavam os bailes carnavalescos. O local não acomodava duzentas pessoas, o que levou os tucurenses a pensarem em ampliá-lo ou alugar outro, um pouco maior. De sábado a terça-feira, o salão lotava. O mulato Chico Batata notou que era necessário criar inovações para o Carnaval: reuniu garotos e garotas, emprestou uns tambores e pandeiros, treinou as músicas de sucesso da época e fundou o primeiro bloco carnavalesco mogimiriano “Os Zuaves do Tucura”. “Zuavo” significa soldado da Argélia. Bem, disso eu sei hoje, na época, ninguém sabia era nada vezes nada, nem precisava. O mais importante era fazer sucesso nas ruas.

 

Numa tarde de Domingo de Carnaval, lá do Tucura ouviam-se os tambores, as caixas e os pandeiros executando as marchas e sambas da moda. O bloco cantava e dançava, descendo a Rua do Tucura e aparecendo no Cubatão, fim da Rua José Bonifácio. Os cem componentes do bloco subiam-na sambando até a Praça Rui Barbosa. Era um esplendor! O pessoal que estava na praça deslumbrava-se com os “Zuaves”, que davam a volta no jardim central, sob calorosos aplausos e gritos de “Viva o Tucura!”. Eu era o locutor do serviço de som da praça e os entrevistei. Todos ouviram, encantados, o discurso do mulato Chico Batata e de Tico Veado. Após o descanso das crianças, o bloco se aprumava novamente e descia desfilando pela rua Dr. José Alves. Chegando à praça do colégio, tornava a subir a José Bonifácio (do Comércio) e aportava novamente na Praça Rui Barbosa. Muitos e muitos aplausos, Paulino Albejante ia ao bar e distribuía guaraná às crianças sambistas. Pinga e cerveja não havia, pelo menos àquela hora. Concomitantemente, realizava-se a matinê do Clube Recreativo e do Mogi Mirim Esporte Clube, cujas sedes ficavam, respectivamente, na Dr. José Alves (até hoje) e na Praça Rui Barbosa (Farmácia 24 Horas). Um fato triste ocorreu. Determinado ano, quando o cordão dos “Zuaves do Tucura” desceu do Tucura, ao chegar ao Cubatão, um de seus diretores, Tico Veado, sofreu um enfarto e morreu ali mesmo.  O que fazer? Os “Zuaves” decidiram: iriam subir a Rua do Comércio e desfilar até a Praça Rui Barbosa em silêncio. Na cadeira onde desfilava Tico Veado, puseram um membro da família. Dali, o bloco se recolheu e, naquele ano, a bateria mais famosa de Mogi Mirim não tocou. O Carnaval se abreviou e não se ouviu o som e a dança dos “Zuaves”. O Aterrado também atuou no movimento carnavalesco, formando o bloco “Acadêmicos do Aterrado”, chefiados pelo Orozimbo “Frigideira” Janini, que, com esmero e muito ensaio, tomou dos “Zuaves” o título de Melhor Bateria dos Carnavais. Ambos os blocos não se conformavam com o empate, tinha que haver um vencedor; os componentes do júri travavam embates para premiá-los. Era complicado! Apreciem os convites para os bailes de Carnaval e da Aleluia, impressos à época de 1928 e 1933.