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Capítulo 19

Em Mogi Mirim de outros tempos não havia ônibus de passageiros, apenas os trens da Mogiana. O pior disso era a fumaça com brasa da máquina, que adentrava pelas janelas das cabines, chamuscando os ternos e os vestidos dos passageiros. Bem que o guarda avisava: “Cuidado com as brasas”. Os passageiros não se acautelavam, abriam as janelas para ver a paisagem, respirar o ar puro do campo e ouvir o coaxar dos sapos. Perto da estação era um brejo só, havia muitos sapos e o barulho ensurdecedor instigava os passageiros. Daí o time do Mogi Mirim Esporte Clube ser conhecido como o “Sapão da Mogiana”. A maior indústria da cidade era a Cervejaria Mogiana, que empregava muitos empregados, inclusive crianças e senhoras, e também propiciava empregos indiretos para pedreiros, serventes e pintores. Quando um cidadão tornava-se empregado da Cervejaria Mogiana era como se tivesse ganhado na loteria.

 

O Delegado de Polícia era respeitadíssimo, assim como o Juiz de Direito. Quando ambos passeavam pelo jardim, todos se levantavam dos bancos e lhes faziam mesura. Ao Promotor Público, todos tiravam o chapéu. Há um fato de que me lembro: após o jantar, as famílias traziam as cadeiras para a calçada e formavam a “rodinha”, por horas e horas, comentando os fatos do dia.  Quando se recolhiam, era comum deixar a cadeira encostada na porta destrancada; o filho que voltasse da rua após aquele horário poderia entrar em casa sem problemas. Daí, bastava fechá-la à chave.  Não havia preocupação com ladrões, pois só apareciam ladrões de galinhas e pilantrinhas, que sumiam da cidade após tomarem uns tabefes da polícia. Os namorados não se beijavam e nem se abraçavam. Havia sempre os pais ou irmãos por perto. De vez em quando, aparecia notícia de que a moça havia engravidado e os outros da família ficavam se perguntando: “Quando foi? Nunca os deixamos a sós!” Ninguém se conformava e todos davam logo um jeito no assunto, iniciando os preparativos para o casamento que, lógico, urgia ocorrer. A galinha já estava pra lá de morta. Explico: no dia seguinte à noite de núpcias, quando os noivos ainda dormiam, a sogra acordava a noiva e perguntava: “Como é, já podemos matar a galinha?” – significando que o ato sexual se consumou e que a noiva já tinha engravidado na primeira noite. Engravidar era fato importantíssimo, que ensejava festança. Era costume as sogras se provocarem: “Sua filha não está dando nada!” ou “O seu filho está negando fogo. Desse jeito, não vamos matar a galinha!” Quanta cobrança! A coluna homenageia os amigos Tito Pinto, Tóride e Zenaro e apresenta foto de Confraternização dos Reservistas nascidos em 1937, Turma de 1956 do TG-029. A reunião deu-se na antiga residência do Zenaro, à Avenida Santo Antonio, 263, em 24 de setembro de 2000.

Da esquerda para a direita: Pedro Pires Barbosa (falecido), Edgard José Ferreira, João Carlos Stevanatto, João Pedro do Prado, José Polettini, Amador Costa de Oliveira, Antônio Magalhães, José Carnicelli, Sebastião Sabino (falecido), Walter José Zenaro, Orlando Teodoro Bueno (Dinho), Antônio Magiolo, Idenilson Valério, Sebastião de Souza. Agachados: Abel Fogaça (falecido), Tóride Sebastião Celegatti, Manoel Dias, Luiz Dias Teruel, Luiz Antônio Pinto (Tito) e Marcílio Souza Leite.