No bairro da Santa Cruz existia o armazém de João Davoli e sua esposa Elvira. Em junho, todos aguardavam as festas dos três santos e as famílias compareciam ao armazém, vindas de todos os cantos da cidade. Havia a reza e a subida do mastro em homenagem aos Santos Antônio, Pedro e João. As pessoas podiam andar pelo armazém e pela casa para saborear as guloseimas e ninguém furtava ou mexia em nada. Os mais freqüentes à festa eram as honradíssimas famílias dos Mantovanis, Guarnieris, Mazons e Albanos.
No bairro do Aterrado, existia o armazém do velho Adolfo Morari e sua esposa Anita. Do outro lado, ficava a chácara de meu avô, Ângelo Donegá. No pé do morro que cruza com a Rua João Teodoro, existia a sapataria de meu tio João Donegá, que fabricava e consertava sapatões, chinelos e galochas para os boiadeiros. Era o pai de Albertina Donegá, já falecida, que fora casada com Antônio Leite de Morais, pais de Ego, Zinha e Quinho. Ernesto Rossi possuía um bar na esquina da João Teodoro com a Ladeira São Benedito. Voltando ao centro, na Rua do Mercado, atual Coronel Guedes, comprava-se o melhor fumo da região no estabelecimento do velho Furegatti, pai de Romeu. Um dos fumos chamava-se Macaia, que no bom português significa fumo ordinário e a gíria “pitar macaia” significa partir desta para melhor. Mas, na verdade, era um dos melhores, o preferido de todos, por estar sempre úmido ao ser consumido. Era desse fumo que eu comprava para o meu pai.
1935 – Rua José Bonifácio. Do lado esquerdo, vê-se o escritório Bernardes. Ao fundo, a Praça Rui Barbosa.
1937 – Rua XV de Novembro. Ao fundo, a Igreja do Carmo.