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Capítulo 13

A Igreja Matriz de São José era o centro da religiosidade e promovia grandes procissões. Nos bairros, as capelas arregimentavam o pessoal, que se dirigia ao centro da cidade para louvar o padroeiro, São José. Lembro dos Monsenhores Jerônimo Baggio e Moysés Nora, este, português dos mais severos, intolerante às outras religiões, mas abria exceção a um espírita que, aliás, Nora admirava muito: o Senhor Juca de Andrade. Quando ambos se encontravam nas ruas, havia um respeitoso cumprimento por parte de Nora, em reconhecimento ao trabalho de Juca de Andrade em prol dos católicos e de toda a sociedade mogimiriana. A Igreja de São José localizava-se no meio da Praça Rui Barbosa, de costas para a Rua José Bonifácio, local onde fui batizado, e foi demolida em 24 de março de 1929, para a construção da nova Matriz.

 

Outro dia fui ao arquivo da Igreja de São José e pedi à funcionária que averiguasse no fichário o registro de meu batistério. E lá estava. No cartório, embora nascido em dois de julho, o pai somente providenciou o registro no dia quatro e o cartorário, equivocadamente, deixou-me dois dias mais novo. Ora, pois. Durante a construção da nova Igreja Matriz, essa que temos hoje, houve muitas campanhas e quermesses com barracas de jogos e brindes. Havia a estante dos doces fabricados na cidade pela empresa União, de propriedade da família Cerrutti, e Jundiaí, de propriedade do Senhor João Garros, comendador vaidoso, que tratou dos dentes e um deles ficou bambo. Quando falava, daquele dente se ouvia um alto ao pronunciar a letra “s”. Que homem marcante! O leiloeiro da cidade era exótico, vestia um terno branco, gravata das mais modernas, chamava-se Dito Barata. Dito Barata, matreiro, balançava com ginga e gritava bem as ofertas. Era o leiloeiro oficial das festas. Com o seu martelinho, ele apregoava os lances de prendas que o povo ia arrematando. Uma noite, meu pai apareceu com catorze pacotes de duzentos gramas de diversos doces, que comemos “até o bico entortar”.

1929 - Vemos fotos da Matriz de São José antiga e já parcialmente demolida.

Juca de Andrade, fundador do Centro Espírita “Regenerador e Caridade”, na R. Padre Roque, 136, em 3.5.1926;

da Associação Espírita “Jesus e Caridade”, na R. Treze de Maio, 140, em 26.7.1933;

do Albergue Noturno em 1934 e da Mocidade Espírita, em 1947.

Seus colegas de luta foram Vitorino Rosa, Rafael Janini, Oscarlino Massucci, Heitor Moura, Leopoldo Ladeira, Jonas de Oliveira Cintra, Isac Tibúrcio e Lino Patelli.