Biografia do Pintaca - Livro em 66 Capítulos
O Tenente Nelson, da 7ª Companhia, mandou me chamar: “-Ó 2443, tenho uma boa notícia para você. Tem visto a sua família?” “-Não, só por cartas. Penso em minha mãe, a Páscoa está chegando, queria dar uma chegada a Mogi Mirim. Minha mãe me mandou parte do dinheiro que recebo nos Correios.” Ele perguntou: “-Você entende de telégrafos?” Respondi, animado: “-Sou telegrafista e entendo de rádio também.” O Tenente disse: “-Mas por que não falou isso antes? O Comando está em busca de um telegrafista para ajudar o titular. Isso dá um dinheirinho. Aguarde aí, que vou ver isso.”
Os três dias de folga passaram rapidamente e tomei o trem de volta. Campinas, Rio Claro, Bauru e Tupã. Apresentei-me ao Comando, distribuí as cartas que as famílias haviam encaminhado aos colegas e fui descansar. Voltei aos afazeres do quartel e aos ensaios da banda, pois participaríamos de paradas e dos serviços de piquete do Comando, onde éramos obrigados a conhecer 120 toques, desde o toque da Alvorada ao de Silêncio, incluindo os toques de Rancho pelas refeições, toques de chamada do Comandante, dos oficiais das Companhias, do Tenente do dia, do Sargento do dia, de exercícios e da leitura do boletim diário do Batalhão. Tinha um toque diferente para cada função ou situação.
Nos meses seguintes, houve a chamada de muitos colegas para integrar um novo Escalão da FEB no Rio de Janeiro. Felizmente, continuei em Tupã, na Telegrafia e na Banda do Batalhão. A Tupã de 1943 possuía apenas uma pequena igreja, que mal acomodava os seus fiéis. Tive uma idéia:eu e três amigos, que regularmente assistíamos à missa aos domingos, sugerimos ao Padre que fundássemos um coral e nos oferecemos para nele cantar, durante a estada naquela cidade.
Enfim, chegou o dia do Chá-Show para a reforma da Igreja Matriz de Tupã. Os preparativos tiveram lugar durante todo o dia, muita arrumação, outros tantos detalhes de última hora, mais outros imprevistos, mas aquela noite foi inesquecível: um sucesso.
Uma manhã estava à porta de Comando de piquete e veio a ordem: a 7ª Companhia iria ser transferida para Araçatuba e ficaria alojada na arquibancada do estádio de futebol. O Comandante mandou que nos formássemos: a Banda iria entrar marchando na cidade até o estádio. Assim, saímos da estação ferroviária em forma, exibimos todos os dobrados que sabíamos e desfilamos pela cidade toda. Os curiosos saíram às portas e nos aplaudiram. Abafamos, de cara!