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Capítulo 7

Entre os bairros do Tucura e do Cubatão, ao final da rua José Bonifácio, havia um enorme bambual junto à rua. Pertencia à família do chacareiro, os Guardias. Quando a noite chegava, pouca gente se aventurava a se locomover do Tucura para a cidade, devido ao boato de que o bambual era assombrado. Aquele lugar, após as 20 horas, se transformava num trecho deserto.

 

Aos sábados e domingos, quando o relógio da Matriz de São José dava as 21 badaladas, os moços e moças se reuniam em grupos para, juntos, atravessarem o grande trecho. E só respiravam aliviados quando cada qual chegava em casa. Na verdade, como foi descoberto mais tarde, havia um grupo de gozadores que ficavam postados por trás do bambual. De lá, balançavam os bambus e acendiam velas. A luz aparecia e desaparecia conforme as sacudidas e o objetivo era alcançado: todos ficavam assombrados. Também nessa época ocorria uma guerra dos garotos do Cubatão contra os do Tucura. As armas de ataque eram os estilingues. Eram verdadeiras invasões, recíprocas, alternadas e surpreendentemente estratégicas. Garotos e vidraças eram atingidos amiúde, até que a polícia aparecia e levava todo o mundo. Os pais eram chamados à Delegacia para prometer que acabariam com as guerrilhas de estilingues de seus filhos. Se promessa é dívida, não sei. Mas a paz reinou entre os meninos dos dois bairros,  pelo menos durante algum tempo. Uma apresentação dos galantes rapazolas das décadas de 40 e 50.

1950 - defronte ao Cine São José, Toninho Franco, Eloy Prado, Heitor Prado, Alaor Vaz e Carlos Adorno.

1942 - Toninho Guardia, Zizo Freitas e José Luiz Pedroni.

A colunista agradece o reconhecimento e a assiduidade dos leitores que a incentivaram a manter viva a memória do Pintaca, querido pai, e manifesta especial gratidão ao Ricardo Piccolomini de Azevedo pela oportunidade, ensinamento e especial carinho. Recebam os cumprimentos e os sinceros votos de saúde e prosperidade no Ano-Novo. Rosana.