O horário de funcionamento da Rádio Cultura de Mogi Mirim era das 6 às 18 horas e o que mais chamava a atenção dos ouvintes era a programação de auditório, onde se apresentavam artistas famosos, que faziam sucesso em São Paulo e Rio de Janeiro, como Agnaldo Rayol e Nelson Gonçalves, que iam se apresentar em Poços de Caldas e, depois, passavam por Mogi Mirim para participar do programa.
A equipe de funcionários da Rádio Cultura de Mogi Mirim era formada pelos locutores Geraldo Ferreira Lima, Simão Horácio Bottesi e Benedito Rocha, além de Cônego José Nardim na “Hora de Maria” “Minuto Espiritual” e, depois, “Hora do Angelus”, pelo corretor Anselmo Lopes Bueno, pela sonotécnica Mercedes Elizabeth Tesch e pela também sonotécnica e programadora Maria do Carmo Donegá.
A Rádio Cultura cresceu mais e mais, mas só funcionava até as 18h15. A programação iniciava às 7h30 com Relógio Musical, passava por Mensagem Romântica de José Dini Ferreira, Comparações Musicais, Valsas e Boleros, Programa de Saúde Ferreira Júnior, Orquestra do Dia, O Cartaz do Dia, Repórter R-26, Esportes, Página das Américas, Audições - O Seu Programa, Almoçando com Música, Recordando Carnavais Passados, Boleros em Desfile, Rádio-novela “O Lobo do Mar”, Amável Ouvinte, Boulevard Músicas Francesas, Nostalgias Portenhas, Grande Jornal Falado Cultura, Hora do Ângelus, pelo Monsenhor Nardim e o Encerramento, às 18h15. A programação era de alto nível e, após esse horário, o Serviço de Alto-Falantes “Vitória” entrava em ação, até as 22 horas. Aos domingos à tarde, a emissora apresentava variadíssima programação com a Rádio-novela ao vivo, humorísticos, shows com artistas conhecidos e, finalmente, um sensacional programa de auditório, com farta distribuição de prêmios aos ouvintes e espectadores que lotavam os 600 lugares do recinto.
O tempo passou, acabei aceitando Antônio Carlos de Abreu Sampaio como sócio. Apresentei-o aos demais membros da diretoria, aqueles que assinaram o estatuto em troca de uma ação de graça, por não desejarem dispor do rico dinheiro. Sampaio ficou doido: “-De graça? Essa gente vai ser um espinho no pé. Vou ver se eles vendem a ação e pago todos eles.” Levei outro baque, pois captei o que iria ocorrer: ele queria me transformar em empregado ou, na pior das hipóteses, me afastar da rádio. Ele tinha dinheiro para comprar e pagar tudo. “Estou ferrado. Que besteira eu fui fazer!” – pensava. Depois, ele chamou um genro chamado Geraldo para fazer show, cantar e apresentar. Que golpe! Eu tinha que pensar positivo e tomar muito cuidado, pois estava levando uma puxada de tapete atrás da outra.
Eu mantinha uma coluna bimestral na revista “A Paulistinha” e, na edição setembro/outubro de 1951, na página 23, publiquei: “Não resta dúvida que o rádio no interior luta com grandes dificuldades. Se já impossibilitam aos diretores a feitura de grandes realizações as parcas possibilidades financeiras das pequenas cidades interioranas, chega a causar desânimo o pouco apoio que os poderes competentes oferecem às emissoras. Não hesitamos em afirmar que as rádios-emissoras são mesmo esquecidas; melhor, são lembradas apenas nos momentos em que delas necessitam. Aliás, muita falta de compreensão persiste ainda no espírito de muitos... Anima-nos, porém, o desejo de trabalhar muito, na certeza de que, em data muito próxima, ocupemos a posição de destaque que nos está assegurada no cenário de todos os palcos da coletividade. O. BRONZATTO.”