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Capítulo 49

Eu mantinha uma coluna bimestral na revista “A Paulistinha” e, na edição setembro/outubro de 1951, na página 23, publiquei: “Não resta dúvida que o rádio no interior luta com grandes dificuldades. Se já impossibilitam aos diretores a feitura de grandes realizações as parcas possibilidades financeiras das pequenas cidades interioranas, chega a causar desânimo o pouco apoio que os poderes competentes oferecem às emissoras. Não hesitamos em afirmar que as rádios-emissoras são mesmo esquecidas; melhor, são lembradas apenas nos momentos em que delas necessitam. Aliás, muita falta de compreensão persiste ainda no espírito de muitos... Anima-nos, porém, o desejo de trabalhar muito, na certeza de que, em data muito próxima, ocupemos a posição de destaque que nos está assegurada no cenário de todos os palcos da coletividade. O. BRONZATTO.”

 

Escrevi o trecho acima muito amargurado, sabia que tempos e caminhos incertos se aproximavam à velocidade de um supersônico. Eu estava cheio de problemas emocionais e fui até a casa de meu ex-sócio Acésio Godoy Gomes que me recebeu doente, na cama. Desabafei, me aconselhei, pedi ajuda, amaldiçoei tanta desventura. Resolvi que ficaria fora da minha querida Rádio Cultura por uns tempos. Eles, é claro, insistiram para que eu vendesse a minha parte, mas não aceitei. A Rádio ficou livre para Antônio Carlos de Abreu Sampaio e seus três diabos. Mas muita água ainda iria passar por debaixo da ponte. Eles que me aguardassem, porque essa minha má fase iria terminar em breve.

Foto da Rádio Cultura de Mogi Mirim, na Rua Padre Roque, nº 60. Lá também funcionou o Cine Rádio e os bailes do Grêmio Mogimiriano, durante a reforma da sede da Chico Venâncio.