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Capítulo 4

Lembro-me do antigo cinema da rua Padre Roque, (em 1947, veio a ser o Cine Vitória do Pintaca) e também do Teatro São José, que trazia a apresentação das grandes companhias teatrais, dentre elas, a de Procópio Ferreira e de Lison Gaster, uma companhia francesa que percorreu todo o Brasil e considerou o Teatro São José como um dos melhores do interior paulista. Constituía-se de um grande palco. A platéia dispunha de mais de cento e cinqüenta poltronas, com uma varanda que comportava oitenta cadeiras, a dois degraus da platéia. O terceiro nível era chamado de “galinheiro”, como a arquibancada de um circo.

 

Assisti a muitos filmes naquele cinema da Rua Padre Roque. Mas o Teatro São José transformou-se em cinema, os aparelhos foram transferidos para lá.  Esses projetores eram acionados mecanicamente, movimentados pelas mãos do saudoso amigo João Simões, vulgo “João Judas”, por causa da fisionomia sempre fechada.  Era ele um português dos mais rudes e dos mais sabidos, dono dos cenários: quando a companhia de teatro visitante não trazia nenhum, João Judas alugava a sua caixa, com inúmeros e belíssimos cenários.

Vemos na foto o interior (coxia, posto da orquestra e mapa das poltronas) e a fachada do Teatro São José de Mogi Mirim.