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Capítulo 64

Estou dobrando o Cabo da Boa Esperança. Daqui para frente, viver é lucro. Saio de casa todas as manhãs para ler o jornal no banco da Praça Rui Barbosa e rever meus amigos. Mogi Mirim é minha eterna paixão. Em 1939, quando tinha apenas vinte anos, a convite de Paulo Januzzi, então Presidente da Societá Italiana de Mutuo Soccorso di Mogy-Mirim, fui aceito como sócio naquela entidade que, por intervenção do governo federal, passou a chamar-se Associação Mogimiriana de Beneficência. Lá atuei como Secretário por muitos anos, acumulando funções de programador e gerente do Cinema São José, o qual, mais tarde, foi arrendado para duas casas comerciais, uma delas muito poderosa, cujas araras e prateleiras preenchem o grande espaço por onde já atuaram Randolph Scott, Sophia Loren, Gina Lollobrigida, John Waine e outros hollyoodianos de classe, glamour e qualidade. Não sou mais o gerente do Cine, mas continuo como membro da Associação Mogimiriana de Beneficência.

 

Tenho um formidável laboratório nos fundos de minha casa. É lá que mantenho organizado o arquivo e, nos fins de semana, munido de uma caipirinha bem lavrada para afinar o sangue (aviando a receita fabulosa do finado amigo, Doutor Toninho Albejante, que deve estar rindo muito, agora), exibo para a platéia de um só os antigos filmes 16 mm. As filhas Rosana e Graziete são casadas e vêm à minha casa, aos domingos, e aparecem para dar uma espiada no que estou projetando. Gozo de muito boa saúde, devido aos exercícios pesados da época do Batalhão da Força Expedicionária Brasileira, à minha bicicleta da época dos Correios e Telégrafos e ao futebol, onde joguei como bom “beque de espera”, hoje, zagueiro central, no Bola Preta Futebol Clube e outros times. Em setembro de 1986, recebi ofício subscrito por Albino Bino Peres de Barros, então Presidente da Câmara, comunicando que seria agraciado com a Medalha João Teodoro, comenda maior da cidade. A indicação foi do Vereador Vanderlei Andrade, aprovada pelos demais Conselheiros e a Sessão Solene deu-se em 22 de outubro daquele ano, sendo o orador oficial da Câmara o Professor Benjamim Quintino da Silva, cunhado de meu colega de Exército, Orlando Cestaro. O Professor Quintino, em discurso brilhante e emocionante, assim falou sobre mim: “Nobre Orlando Bronzatto, Pintaca, que aos tenros sete anos de idade já se fazia aprendiz de tipografia e se iniciava na arte de articular o verbo impresso e aos vinte e três anos integrava a Força Expedicionária Brasileira. Sua gente mogimiriana se orgulha de sua presença em todos os setores de nossas atividades sociais e, de forma especial, pela sua presença no Conselho Diretor da Associação Mogimiriana de Beneficência, do qual se ausentou apenas durante sua permanência patriótica na FEB. É especialmente no campo da radiodifusão que sentimos sobressair sua figura de pioneiro idealista. Nossa moderna rede de emissoras o reconhece como sua primeira chama audaciosa, que em dias heróicos, libertou a palavra mogimiriana pelas ondas hertzianas da surpreendente e vanguardeira “Rádio-Propaganda Vitória”. Esta Casa reconhece o seu trabalho, regozija-se com seus feitos e exalta seu nome, nobre senhor Orlando Bronzatto.” Como não me emocionar diante de belíssimas palavras? Eis que recebo um ofício comunicando que receberei o Título de Cidadão Articulista do Jornal “A Comarca” em 8 de junho de 2000. Aliás, foi uma cerimônia das mais belas. Arthur de Azevedo e seu filho, Ricardo Piccolomini de Azevedo, comemoraram, ao mesmo tempo, o Centenário de “A Comarca”. Para abrilhantar a cerimônia, estiveram presentes os membros da Esquadrilha da Fumaça, os quais receberam o Título de “Heróica Amiga do Povo Mogimiriano”. As solenidades foram inesquecíveis, momentos de muita alegria em meu emocionado coração.

Pintaca sendo recebido na Casa Legislativa pelo Vanderlei Andrade.

Professor Benjamim Quintino da Silva.

Pintaca segurando o diploma da Medalha “João Teodoro”, ao lado de Odete.