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Capítulo 41

Uma emissora de rádio em Mogi Mirim! Isso mesmo! Movido pela ansiedade, comecei a procurar investidores. Sabe o que ouvi? Elogios? Estímulos? Eu ouvi: “-Você está louco, Pintaca? Imagine uma emissora de rádio em Mogi Mirim!” Eu não me revoltava com isso. Eu conhecia a minha cidade, nem todos eram contrários à idéia. Mas me faltava o dinheiro. Em 1949, no meu programa de auditório, vi um senhor bem trajado entrar. Fui até ele e perguntei no que poderia atendê-lo. Logo pensei em fiscalização, inspetoria, essas chatices. “-Não é muito que queria saber. A estação de rádio fica aqui, mesmo? Sou de Campinas e vinha no meu carro, de repente, corujando o dial e ouvi o prefixo – Rádio Propaganda Vitória. É aqui?”

 

Eu me apresentei. Ele também: Acésio Godoy Gomes, inspetor estadual, sede de Campinas, quis saber como consegui o funcionamento da pequena estação. Informei, ele achou engraçado e sugeriu: “-E por que não incorporar 100 watts?” “-Seria ótimo, pensei nisso, mas já ouvi tanta coisa do pessoal daqui de Mogi, que não tem dinheiro para investir comigo... Só recebi sonoros ‘Não’ de todo lado.” Acésio disse: “-Você aceita a minha ajuda? Eu tenho um prefixo em Pereira Barreto. Longe demais. Lá não tem energia na cidade inteira. Um japonês de lá quer comprar o meu prefixo, disse que vai comprar muitos rádios de pilha e vai faturar às pampas. O transmissor de lá funciona com gerador. Pense, faça um relatório do que dispõe e telefone para mim. Este é meu número.” Nem dormi. Marretei as idéias, já pensou? Uma emissora de rádio em minhas mãos! Um desconhecido veio oferecer-me ajuda. Contei o fato à mulher, aos pais, aos amigos, ninguém acreditava. Ninguém me estimulava.

O início de tudo, em 1949: Orlando Bronzatto, o Pintaca, e o Senhor Acésio Godoy Gomes (abaixo).