Capítulo 23

Publicado em Sábado, 03 Maio 2008 13:36
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Uma tarde, estava eu em casa, quando bateu à porta o amigo Mauro Maretti, para contar à minha mãe que o telegrafista precisava de alguém para entregar os telegramas. Eu me entendi com os patrões da Casa Cardona, que concordaram que eu desse expediente no serviço de Telégrafos, conciliando os dois empregos. A distribuição de “A Comarca” dava-se na residência dos assinantes, todas as quintas e domingos. Então, eu daria conta de tudo fui para a luta.

 

Em 1941 prestei concurso para carteiro, em São Paulo, onde estive num domingo pela manhã. Arrasei nas quatro operações e no francês. O amigo João Rocha Leão, casado com uma mogimiriana, intercedeu pela minha transferência da Capital para Mogi Mirim, onde, de fato, trabalhei até 1951, quando tive que optar entre ficar nos Correios ou cuidar da emissora de rádio que eu havia fundado na cidade, juntamente com o senhor Acésio Godoy Gomes, a Rádio Cultura de Mogi Mirim. Escolhi a emissora – a menina dos meus olhos - mas essa história vem depois. Nos tempos dos Correios e Telégrafos, adveio o apelido – Pintaca, em alusão ao Carlo Pintacuda, piloto italiano de um Alfa-Romeu-308, na década de 30, que vencia os alemães em muitas corridas automobilísticas. Eu fazia a amarração das calças nas canelas, para que a roupa não enroscasse na corrente da bicicleta e era muito eficiente na execução do meu trabalho. O Pintacuda em Mogi Mirim era eu mesmo, o Pintaca-da-magrela.  Ou simplesmente, Pintaca.

José Maria André e Orlando Bronzatto (Pintaca), este com as calças presas aos tornozelos.

1941 – Prédio dos Correios e Telégrafos. Funcionários José Maria André e João Batista (falecido em 2.11.73). Os serviços funcionaram em vários prédios: na Rua José Bonifácio/Praça Rui Barbosa, onde hoje é o Banco Real; depois, na Rua Conde de Parnaíba; em seguida, na Rua João Teodoro; e, definitivamente, na Rua José Bonifácio. (Esclarecimentos prestados a esta colunista pelo Senhor José Maria André, que se emocionou ao ver as fotos e contou-me que Vitalina, mãe do Pintaca, recebia ambos no balcão do armazém e lhe preparava sanduíches de queijo, pois é vegetariano. Pintaca preferia os de mortadela. Ao fim da conversa, Zé Maria mostrou uma máquina de telégrafo caprichosamente conservada e disse-me: “Ponha a mão nesse telégrafo, Rosana, e dê uns toques; seu pai trabalhou muito nessa máquina. Se ele estiver nos vendo agora, estará feliz.” Chorei a cântaros, pelo resto daquela manhã, e desejei que Pintaca estivesse mesmo por perto. Obrigada, amigo Zé Maria.)