Naquela época, existia ao lado da antiga Matriz de São José, com frente para a praça, a Sorveteria Botelho, do espanhol José Botelho, o armazém do Compadre Alfredo Tomaz e a primeira residência da família Oliveira Andrade, bem como algumas casas antigas. Do lado de cima da praça Rui Barbosa, na esquina da rua Chico Venâncio, existia o armazém dos irmãos Alvarenga, o bar do Paulino Albejante, a sede do Mogi Mirim Esporte Clube, a relojoaria de Antônio Coppo, a Torrefação do Café Coppo e a loja do Ângelo Marques e de seu avô, Senhor Antônio Marques Rodrigues.
Na esquina, ficava a Casa Morais, de propriedade do Senhor Antônio Leite de Morais. Podíamos ver, ainda, Ozório, com o seu “galo”, vendendo sorvetes do Botelho, que eram batidos na base da pá, sorvetes da fruta, sem química. Do outro lado da praça, na esquina, ficava a Casa Cardona e o jornal “A Comarca”, dos irmãos Orlando e Emílio José Pacini e de Francisco Piccolomini. O seu fundador, Senhor Francisco Cardona, ainda era vivo, mas já havia transferido a firma a seus três diretores. Víamos ainda o famoso bar do Zezinho Tonon, onde hoje está o prédio do Banco do Brasil. Na mesma rua, existia a oficina de rádios de Osmundo Silva, a padaria de José Morais e a grande loja de Salim Chaib, pai de Adib, Nagib e Olga. A selaria de bento Ferreira de Camargo ficava nas imediações, confeccionando arreios de primeira qualidade para os animais. Após, víamos a casa do Doutor Rozendo Rodrigues do Prado, pai do Doutor Pedrinho, sogro de Dona Norma Dotta. No início da Rua José Bonifácio, a relojoaria de Fortunato Badan, imigrante da Itália, que se considerava o melhor profissional da região. Descendo a rua da casa da família Rocha Leão, havia o “Bar ao Lanche das Normalistas”, de Clementino Diogo, que vendia doces, café, chá, chocolate no inverno, sanduíches, cervejas, refrescos, balas e bombons finos, para onde centenas de normalistas do Colégio se dirigiam à saída das aulas. As normalistas eram as moças que estudavam no Colégio Imaculada Conceição, às centenas, que residiam no prédio do Colégio, advindas de outros Estados, principalmente de Minas Gerais, Mato Grosso e Rio de Janeiro, e as de Mogi Mirim, é claro. O bar de Clementino Diogo ficava embaixo do Cine Rex, à noite eram servidas as guloseimas confeccionadas pela Dona Guiomar, que recebeu o título de “A Rainha das Normalistas”. Por alguns anos, na década de sessenta, levei para lá a minha máquina de projeção para exibir às internas os filmes de “O Gordo e o Magro”. A ordem era para ter cautela com os romances: beijos e abraços não eram permitidos. As madres assistiam à première e censuravam tudo; após o crivo, eu transmitia o filme no grande salão do Colégio Imaculada. Lembrar dos anos antigos me traz uma saudade sem-fim. Nota de Rosana, a filha: “Meu pai me contou, um dia: “As coisas aconteciam antes ou depois da passagem das Normalistas pela praça; durante, o tempo e todos parávamos para vê-las.” Apresento-as, em uniforme de gala – boina e saia creme, blusa branca, gola e gravata azul-marinho: Anamélia Marcondes, Cidi Avancini, Onezila Pacini, Marisa Bueno, Regina Maria Tucci (Piquitu), Josefina Girardi, Terezinha da Gama e Silva, Jandira Róttoli e Carmita Barbosa.