Capítulo 56

Publicado em Sábado, 30 Maio 2009 19:51
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Eu havia me separado de minha esposa e morria de saudade de meus filhos. Eu os via raramente e isso incomodava no meu âmago, deixando-me, por vezes, muito transtornado. A saudade é um sentimento difícil de dominar e me deixava melancólico, incompleto, pois privado da presença de minhas crianças tão queridas.

 

A vida continuou e eu trabalhava com exibições de filmes em Itapira, Artur Nogueira, Mogi Mirim e Conchal. O compromisso com a Clínica Santa Fé havia aumentado e pensei em me mudar para Itapira, “a linda”. Não me esqueço que arrendei também o Cine de Artur Nogueira por quatro anos. Eram muitas as possibilidades de trabalho que se me apresentaram. Eu, sozinho, abracei todas elas. Foi em Conchal que reencontrei a paz de espírito, pois arrendei o prédio da Associação Esportiva Conchalense. Como eu havia instalado a tela Scope em Mogi Mirim, levei a novidade também para lá e, por dezenove anos, estive à frente do Cine Paratodos, exibindo grandes produções hollywoodiana em telas cheias. Valeu a pena eu manter contatos com as distribuidoras de fitas de cinema em São Paulo. Toda quarta-feira eu visitava os escritórios dos estúdios da Warner Bross, Columbia Pictures e Metro-Goldwyn-Mayer para locar cópias de grandiosos filmes. Apenas resolvi parar com a exibição de filmes porque o progresso trouxe lá suas sequelas: meu grande amigo Aristides Trentin lotou a cidade de televisores e o povo conchalense não saía mais de casa para passear ou ir ao cinema. Ainda assim, atendendo a pedidos, exibi filmes no Salão Paroquial do amigo Padre Alberto Velloni, que gostava muito de cinema.  Padre Alberto era meu velho conhecido. Quando coadjutor do Monsenhor Nardim, em Mogi Mirim, dava as suas escapadelas para vir à minha cabine, no Cine Rex, para assistir aos faroestes de Randolph Scott e Giuliano Gemma. Um grande amigo, o Padre Alberto Velloni!

Cine Paratodos, em Conchal

Padre Alberto Velloni