Eu apresentava o programa de auditório, aos domingos, anunciando assim: “Domingo Alegre: um programa diferente para o agrado de toda gente.” Às terças-feiras, apresentava no Grêmio Mogimiriano um dos melhores programas de auditório do interior “Terça tem Show”, a partir das 20 horas, após a Hora do Brasil, com três horas de duração. A primeira parte do show trazia a apresentação de calouros infantis e adultos; a segunda parte, os melhores cantores e cantoras da cidade, como Má Barbeiro cantando músicas de Nelson Gonçalves, Francisco Silva cantando músicas de Francisco Alves, Antônio Bruno com músicas de Vicente Celestino, Cidinha e seus sambinhas, boleros e guarânias, a senhorinha Salvatto e seus tangos, o Nelson da Rua Dr. José Alves trazendo belas canções, o Soldado Ananias com músicas de Jorge Veiga e Francisco Minervino & Filho na harpa e violão.
A animação geral ficava a cargo do Nhô Paulinho (Paulo Cintra Barros), vestido a caráter (de caipira) que, com sua esposa, apresentavam cenas cômicas circenses. A terceira parte trazia atrações maiores e, uma vez ao mês, Walter de Almeida trazia a sua turma circense diretamente de Campinas. Entre os inúmeros artistas, a inesquecível Nhá Tica. O “Terça tem Show” distribuía mais de cem prêmios toda semana: vinte relógios despertadores Vigorelli, a mesma marca das máquinas de costura, dez jogos de latas de mantimentos da Casa das Máquinas, vinte cortes de casimira e mais vinte de vestidos das Casas Pernambucanas, além de outros prêmios e brindes ofertados por outros comerciantes. Muito longe de ser o Sílvio Santos, eu trazia ao Grêmio cerca de 1.500 pessoas, em média. O salão lotava aos domingos e abarrotava toda terça-feira. Eu estava muito, muito feliz. 
Foto 1 – Francisco Minervino & Filho

Foto 2 –Nhá Tica e o showman Walter de Almeida