Eu estava de novo nas minhas duas casas: a da família e a da Rádio. Deparei-me com os ótimos locutores Geraldo Lima e Simão Horácio Bottesi. Quero dizer que José Renato Gonçalves foi um dos melhores radialistas que encontrei na vida. Contratamos algumas moças para operar a mesa e organizei o trabalho do meu jeito, fazendo reportagens internas e externas, movimentei a emissora por todos os bairros mogimirianos, incrementei o rol de patrocinadores, que confiavam em mim, pois me conheciam desde criança, sempre tive credibilidade. Eu estava no auge de minha vida laboral, era reconhecido pelo meu trabalho e pude ler no Annuário de 1952, transcrito agora ipsis litteris:
“Falando de Progresso e de gente bôa... O público de Mogi-Mirim e cidades vizinhas tem conhecido esses astros, num esforço sobreumano, porque, às vezes, a vinda de artistas como Nélson Gonçalves, Lamour e Latour, Los Mexicanitos, Francisco Canáro, o maior cantor de boleros do mundo Gregório Barrios, custam mais que aquilo que produz nas receitas desse esforçado lutador que é Orlando Bronzatto. Quem conheceu Orlando Bronzatto e tem acompanhado suas atividades, desde há muito tempo, deve ter sempre sentido, como nós nos sentimos, entusiasmados com sua fôrça de vontade por vencer em todos os seus empreendimentos. Por acaso, não se recordam daquele tímido Serviço de Alto-Falantes Vitória que aos poucos foi crescendo, transformando-se numa das molas propulsoras do nosso progresso, até vingar de vez, dando lugar à Rádio Cultura de Mogi Mirim? E nessa emissora, que foi o segundo grande passo na vida pública de Orlando Bronzatto, que foi ultrapassando as numerosas dificuldades, e que ainda de vez em quando surgem...”
Em 1953, com a Rádio Cultura de vento em popa funcionando até as 18 horas, de acordo com a Lei das Comunicações vigente à época, decidi montar um cinema no horário noturno, hora em que o salão ficava vago. Apresentei a idéia ao Sampaio, que não aceitou. Insisti na idéia e ele não pôs óbices, pelo menos no início. Então, dei início aos trabalhos do CINE RÁDIO – “O cinema pequeno com grandes filmes”, cinema popular onde eram projetados filmes de sucesso em 16 milímetros. A programação era variada, aos domingos sessões às 19h15 e 21 horas, nos outros dias, sessão às 20 horas, casa lotada todas as noites. O cinema funcionou até 1955, com novíssimas poltronas que adquiri em Jundiaí, e pude contar com a colaboração de Antonieta Signorelli, Fernando Miranda e Valentim. Neste meio tempo, uma coisa muito boa aconteceu: consegui a aprovação de licença para a Rádio Cultura funcionar também à noite. 

Foto – folders em vermelho e preto.