Capítulo 44

Publicado em Sábado, 22 Novembro 2008 14:09
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Havia passado um tempo do período experimental e, em março de 1951, eu e Acésio nos reunimos e decidimos pensar na inauguração oficial da Rádio Cultura de Mogi Mirim. Embora minha mãe não estivesse bem de saúde - eu estava muito preocupado com ela - comecei a pedir alguns brindes pela cidade. Acésio conseguiu passagens ida/volta para o Rio de Janeiro, como prêmio principal, brinde da Companhia Aérea de Campinas e tentamos viabilizar a vinda de cantores e atores de São Paulo.

 

O Cine Teatro São José, à época, não tinha a tela Cinemascope. A tela poderia ser recolhida até o teto, deixando livre o grande palco. A inauguração oficial foi marcada para 29 de junho de 1951, mas, em maio, minha mãe faleceu. Acésio quis adiar, não consenti e disse, com dor no coração: “-Vamos em frente, de gravata preta.” Na manhã de 29 de junho de 1951, dia de São Pedro, houve a inauguração da Rádio Cultura de Mogi Mirim, com a presença de autoridades civis, militares e eclesiásticas. Monsenhor Nardim fez o discurso e a bênção. Muitas famílias lotaram as dependências do auditório da Rua Padre Roque. Às duas horas, o show foi transferido para o Cine Teatro São José, cujo palco foi honrado com o desfile de artistas embalados pela Orquestra Acadêmica do Birico, de Campinas, com os cantores Pedro Catuzo e Gentil Barbosa. Destaque para a apresentação do “Rei do Trombone Carioca” Raul de Barros, o comediante Zé Fidelis da Rádio Record, a cantora Zilda Barros da Rádio Excelsior e Gonzalo Cortez, cantor de boleros da TV Tupy de São Paulo e da Rádio Excelsior. Não preciso dizer que foi um grande sucesso.

Gonçalo Cortez ao microfone da Birico e Sua Orquestra (Foto Mauro).

Convite veiculado na imprensa para a inauguração da Rádio Cultura.