Capítulo 37

Publicado em Sábado, 30 Agosto 2008 20:57
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Armistício. Os japoneses apelaram após a destruição de suas cidades. Em abril de 1945, o Comandante ordenou a leitura dos primeiros nomes que receberiam a dispensa e voltariam para casa. Dia 13, outra lista foi anunciada e, dentre os nomes, o meu. O retorno a Mogi Mirim foi uma festa e, aos poucos, eu e Zulmira fomos reencontrando lugar na sociedade. Meus pais não aceitaram o casamento. Logo, estávamos morando com meus sogros. Porém, numa noite, no parque de diversões, eu e minha mulher nos deparamos com meus pais e minhas irmãs. Constrangimentos à parte, apresentei-a a minha mãe, ao meu pai e às irmãs. Para surpresa geral, minha mãe convidou-nos para um café em sua casa. O armazém e a casa ficavam perto do parque, fomos para lá. Quando chegamos, meu pai disse: “-Seja bem-vinda a esta casa, Zulmira, esteja à vontade. Vitalina, leve os dois para dentro.”

 

Foi uma reunião inesquecível, sermos aceitos pelos meus pais era essencial para mim.  Conversamos sobre o casamento e meu pai soube que estávamos morando com os sogros. Ele disse: “-A casa da esquina da José Bonifácio com a Praça do Colégio está vaga. Vão morar lá, não precisam pagar nada.” Meu coração explodiu de alegria. Era um sonho, não encontrávamos palavras para agradecer. Prometi que, tão logo recebesse aumento dos Correios, contribuiria com alguma importância, afinal eu tinha cinco irmãos. Voltamos para a casa de meu sogro, animados, sem acreditar que a implicância havia acabado. Existe um Deus! E como existe! De fato, nos mudamos imediatamente, arrumamos a casa e ali nasceu meu primeiro filho, Antônio Carlos. Eu trabalhava arduamente nos Correios e montei o time de futebol do Cubatão, conhecido por “Bola Preta Futebol Clube”. Os jogadores fizeram uma caixinha para comprar os uniformes e as bolas. O Tiro de Guerra 435 e a Escola de Comércio me convidaram para treinar a fanfarra dos atiradores e alunos. Senti-me envaidecido e aceitei prontamente. Nada como relembrar dos tempos da Força Expedicionária, para mim inesquecíveis. Nada como viver na minha querida Mogi Mirim.

Pintaca desfilando pela Escola de Comércio, já que ensaiou a fanfarra da escola.

Pintaca, de terno, segurando a bandeira, orgulhoso do time que organizou no Cubatão, o “Bola Preta F. C.”