Uma manhã estava à porta de Comando de piquete e veio a ordem: a 7ª Companhia iria ser transferida para Araçatuba e ficaria alojada na arquibancada do estádio de futebol. O Comandante mandou que nos formássemos: a Banda iria entrar marchando na cidade até o estádio. Assim, saímos da estação ferroviária em forma, exibimos todos os dobrados que sabíamos e desfilamos pela cidade toda. Os curiosos saíram às portas e nos aplaudiram. Abafamos, de cara!
Já acomodados, recebemos licença para passear pela cidade. Saímos juntos os três mogimirianos: Mauro Maretti, Chefe da Casa de Armas; Aurélio Bueno, Chefe da Tropa e eu, Chefe da Banda e corneteiro de piquete. Araçatuba sediou um campeonato de futebol e, aos domingos, recebia jogadores de Lins, Promissão, Bauru e cidades do Noroeste do Estado. Um dia, eu chamei o treinador e disse: “-Temos na Companhia um ótimo armador. Por que o senhor não o aproveita e o chama para um treino? É o Aurélio Bueno, jogador do Mogi Mirim Esporte Clube!” O treinador me atendeu, Aurélio saiu-se otimamente nos treinos e integrou-se ao time araçatubense, enfrentando os bambas da região. Dali em diante, a vida de Aurélio mudou, agora sim ele se sentia em casa e fazia o que gostava. Era aplaudidíssimo pela torcida do Araçatuba F.C. Aos sábados e domingos apenas alguns sentinelas ficavam em serviço, os demais eram os “hóspedes do Exército”. Um dia, fui à Rádio transmissora local e me ofereci para apresentar um show domingueiro. Expus o projeto de meu show e a diretoria aceitou. Assim, do palco da Rádio, ia ao ar o “Show do Orlando Bronzatto - Pintaca”, nos moldes que eu já havia feito, com cenas cômicas e musicais. O grande auditório ficava lotado. Eu estava tão satisfeito com o meu show dos domingos que o mundo podia acabar. Que os alemães fossem para os quintos dos infernos! Mas ocorreu um fato. Numa manhã, o Tenente Silva me chamou: “- Ó 2443, você vai para Lins. Estão precisando de você por lá e o Major manda que vá o mais breve possível. Agende o horário da viagem.” Ordem militar é mais que importante. Despedi-me da turma da Rádio, da Banda, da tropa e embarquei para Lins, onde o Batalhão havia se acomodado num colégio. Apresentei-me ao comando e à Companhia. Continuei como piquete no comando e na Banda de Tambores e Corneteiros de Lins, onde trocamos experiências. Os soldados e eu criamos dois carneiros e os ensinamos a acompanhar a Banda: um à frente da banda e outro atrás. Quando chegava à esquina, o Cabo pendia a cabeça para a direita ou esquerda, anunciando qual o rumo a ser tomado e o carneiro obedecia ao lado escolhido, indo para a direção correta, à frente da Banda. Nunca havia visto aquilo! Desfilamos no dia Sete de Setembro na rua central da cidade, com toda a pompa e aparato. A Banda estava enfeitada com bandeirolas, os carneiros idem, a cavalariça trazia as metralhadoras, a tropa enfileirada, armas pesadas. Voltei a tocar o “charutão”. Findo o desfile, fomos recepcionados com um banquete no refeitório, afinal de contas, o major havia sido o maior beneficiário, as autoridades não lhe negaram aplausos na formatura dos soldados, apresentação nunca antes vista na cidade e região. Para nós, uma festança, embora soubéssemos que as manobras pesadas teriam início na semana seguinte, incluindo o arranchamento à beira do rio por seis dias, em local distante de Lins. 
1943 – Lins – Alguns elementos da Banda de Tambores e Corneteiros do III Batalhão/5º Regimento.
Observem os dois carneiros-mascotes, um deles com Pintaca, à direita.