Capítulo 33

Publicado em Sábado, 26 Julho 2008 19:35
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Enfim, chegou o dia do Chá-Show para a reforma da Igreja Matriz de Tupã. Os preparativos tiveram lugar durante todo o dia, muita arrumação, outros tantos detalhes de última hora, mais outros imprevistos, mas aquela noite foi inesquecível: um sucesso.

 

O barracão ficou completamente lotado, as famílias colaboraram na doação de mesas e cadeiras, o clube da cidade doou o mobiliário e o serviço de som. Arrecadamos uma grande renda, com a presença de todas as autoridades da cidade. Um dos praças ficou nervoso ao se apresentar para cantar “Meu Brasil” e salvei o número, cantando-a, afinal, havia sido eu o produtor do show e o memorizei, de cabo a rabo. O jornal local publicou extensa matéria elogiosa a todos nós, organizadores do grande show. O Bispo responsável, Dom Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta, veio a Tupã para acompanhar a cerimônia de lançamento da pedra fundamental da nova Igreja. Os “Soldados Cantores” se apresentaram na missa ministrada pelo Bispo. Os fatos foram marcantes para a cidade e todos estavam satisfeitos com os resultados. Recebemos um novo elogio do Comandante do Batalhão, que ficou registrado em nossa folha corrida. Fomos convidados a participar do banquete para o Bispo. Daí faltou etiqueta e o caldo entornou. Colocaram-nos na mesa do Bispo, sentados bem defronte a ele. Éramos nove soldados convidados. Na mesa, havia quatro pratos remontados para cada um, cinco talheres de cada lado e não sabíamos quais usar e, surpreendidos, não tínhamos idéia que naquela cidadela houvesse um buffet tão requintado. Subestimamos e nos demos mal. Apavorados, combinamos imitar o Bispo e os Oficiais maiores à mesa e comer no ritmo deles, para não errarmos os talheres. O Soldado Danucci se preocupou, vaticinando que iria passar fome. Julguei: ia ser um inferno estomacal! Os garçons começaram o serviço e íamos acompanhando o Bispo na medida do possível, pois ele comia muito rápido. Não tínhamos sequer terminado, o garçom já nos retirava os pratos e servia a próxima iguaria. O almoço foi uma correria, os garçons se adequaram ao timing do Bispo e o resto se danou. Saímos insatisfeitos do evento, raspamos os bolsos, fomos a um bar e almoçamos de verdade. Como se não bastasse, voltamos ao quartel e jantamos a valer: arroz, feijão e jabá com jerimum. Fomos dormir empanturrados, mas felizes.

Membros do Chá-Show de Tupã de 1943.  Pintaca é o último da fila, de terno escuro e medalhas na lapela.