Nos meses seguintes, houve a chamada de muitos colegas para integrar um novo Escalão da FEB no Rio de Janeiro. Felizmente, continuei em Tupã, na Telegrafia e na Banda do Batalhão. A Tupã de 1943 possuía apenas uma pequena igreja, que mal acomodava os seus fiéis. Tive uma idéia:eu e três amigos, que regularmente assistíamos à missa aos domingos, sugerimos ao Padre que fundássemos um coral e nos oferecemos para nele cantar, durante a estada naquela cidade.
A irmã do Padre era a organista, que topou a parada: uma vez na semana, íamos aos ensaios do Coral da Igreja de Tupã. Quando tudo ficou perfeito, o Padre anunciou aos fiéis que o coral se apresentaria no próximo domingo. Pois naquele domingo, o Comandante do Batalhão foi à missa com sua esposa para nos ver cantar. Major Danton Braga Benitez foi assistir aos “Soldados Cantores”. Que honra! Apresentamos o cântico de abertura, as demais passagens da celebração e o canto final; a organista chorou durante a execução do último canto. O Comandante Danton se aproximou: “-Nunca havia tido tanto prazer em vê-los. Desconhecia que o meu Batalhão tivesse soldados tão bem organizados. Vocês, moços católicos, são muito esforçados e estão de parabéns.” Outros oficiais vieram nos cumprimentar, o povo de Tupã se aproximou para nos conhecer melhor e eu guardo na lembrança esse dia alegre, emocionante e recompensador. Que saudade! Devido ao sucesso, os “Soldados Cantores” continuaram a se apresentar aos domingos, durante a missa matinal, e sugeri ao Padre que iniciasse uma campanha para a construção de uma igreja maior, nos moldes da que eu havia visto fazer em Mogi Mirim, por ocasião da nova Matriz de São José. Eu e o Padre fomos conversar com o “dono” da cidade, Senhor Souza Leão e lhe pedimos que cedesse um barracão desocupado, a fim de que pudéssemos produzir um grande show. O dinheiro angariado serviria para o lançamento da pedra fundamental da nova Igreja Matriz de Tupã. Ele aprovou a idéia e iniciei os preparativos. Consegui outra licença para voltar a Mogi Mirim. Aqui chegando, após cumprimentar a família e distribuir as cartas, contatei João Judas, o responsável pelos cenários do Cine Teatro São José. Ele me alugou os cenários a módico preço e embarquei de volta para Tupã. O comando me autorizou a montar os cenários no barracão. Enquanto isso, escrevi o show, cuja história trazia cenas cômicas, trágicas, musicais, declamações e a cena final alusiva à guerra, um front. Arregimentei o pessoal, identifiquei os cantantes, formamos um conjunto musical, separei os comediantes dos dramáticos e, após trinta dias de ensaio, marcamos um “Chá-Show”. As Irmandades da Igreja venderam os ingressos, que eram caros, mas a causa valia a pena para os tupanenses. 
1943 – O pracinha Pintaca, aos pés do altar, onde se apresentavam os “Soldados Cantores”; na foto seguinte, Pintaca é o primeiro, à esquerda.
