Todos os meus esforços se concentravam no ensaio da Banda do Batalhão. Eu cuidava da percussão e o Cabo-corneteiro, do sopro. Após algumas semanas, a percussão estava pronta, mas o sopro estava desarmonioso e deplorável. O Cabo, preocupado e nervoso, mandava, sem delicadeza: “-Assoprem com força, rachem a boca, mas quero todos tocando o primeiro dobrado na semana que vem.” E eles ensaiavam sem parar. Também eu ensaiei muito bem os surdos, tambores e caixas. Eu era o mais alto da banda e escolhi tocar o “charutão”, que tinha 1,30 de comprimento e 0,40 de diâmetro. Cada pancada emitia um som dos mais fortes, que ribombava pelo pátio afora. Eu seria o marcador de ritmo.
Ensaiados os dois dobrados “Ferreirinha” e “Sol e Esperança”, os cinqüenta elementos da banda saíram em plena marcha. Éramos vinte e seis nos tambores e caixas e vinte e quatro nas cornetas e clarins, uma banda de respeito! Pedimos uma audiência de apresentação ao Capitão Barroso. “-Capitão, a banda está pronta. Estamos prontos para a inspeção do Comandante.” E assim se deu. Montamos um tablado sobre a pista de exercícios. Sobre ele se postaram todos os oficiais do comando. Estávamos enfileirados e o Cabo-corneteiro ameaçou, com grossura: “-Olhem aqui, seus putos, agora é prova de fogo. Até agora todo mundo comeu na hora certa e tocou o seu instrumento. Se alguém falhar, estará fora da banda e voltará para as fileiras, manobras e marchas. Pensem nisso e prestem muita atenção.” O Cabo deu as ordens assim que ouviu o apito dos tablados autorizando o pequeno desfile no pátio e instruiu: “-Atenção, Banda, sentido. Preparar para o desfile. (Dei a primeira pancada no charutão). Marchem!” A Banda desfilou garbosamente com seus instrumentos, ritmo perfeito, baquetas sincronizadas. Os corneteiros iniciaram o primeiro dobrado, parecia uma orquestra. Quando passávamos defronte o tablado dos oficiais, vimos o semblante sorridente do Comandante, balançando a cabeça positivamente e conversando baixinho com os oficiais do lado. Prosseguimos até o final do tablado e voltamos. Entramos no segundo dobrado, desfilamos novamente defronte o tablado, sob a aprovação unânime dos oficiais. Terminado o desfile e a exibição, o Comandante mandou o Sargento avisar para nos perfilarmos diante do tablado, de frente para ele, que nos fez um elogio formal, determinando que constasse da folha corrida de cada componente da Banda: “-Parabéns. Em breve receberemos o Comando para a inspeção. Vou gostar muito se conseguirem repetir a mesma apresentação de hoje.” Aguardamos que todos os oficiais se retirassem, também nos recolhemos ao alojamento, para retirar a poeira dos instrumentos e guardá-los. Naquele dia tivemos folga, para a inveja dos outros soldados: “Puxa-saco, puxa-saco dos diabos! Um dia, a casa cai!” Não estávamos nem aí.
Visita do Capitão Barroso ao Quartel de Tupã, 1942. Pelotão Armado pronto para a revista; o Pelotão da Banda do Batalhão, infelizmente, ficou em segundo plano e está postado defronte ao prédio.