Quando estava trabalhando na montagem do show da semana seguinte, onde reprisaria a música “Boneca de Piche”, com a filha do Malheiros, o carteiro entregou uma correspondência do Ministério da Guerra e, ao abrir, quase chorei: tratava-se de uma convocação para eu me apresentar em São Paulo. Soube que outros amigos também haviam recebido igual mensagem para integrarmos a Força Expedicionária Brasileira, pois o Brasil havia aderido à Segunda Guerra Mundial.
Após ler a carta, mostrei-a para minha família. Eu era solteiro, morava com eles, minha mãe e irmãos choraram muito. Meu pai ficou triste, pois sabia o que significava “o filho ir para a guerra”. Meus amigos também foram convocados, Aurélio Bueno, Mauro Maretti, Nelson Bianchi, Nelson Siqueira Franco e, de Itapira, os amigos Mário Gozzi e Orlando Cestaro, este, irmão da Doutora Liney Therezinha Quintino da Silva, esposa do Professor Benjamim Quintino da Silva. Nessa época, eu namorava uma moça de Itapira e foi uma tristeza. Marcaram o dia do embarque. Apresentamo-nos todos e entramos no comboio especial parado na gare da estrada de ferro Mogiana. A estação estava apinhada de familiares dos convocados e amigos que foram se despedir. Não sabíamos de nosso destino e, mais tarde, deram-nos a ordem para que nos apresentássemos em Lorena, na Central. O trem militar partiu e passamos por Campinas; à noite, desembarcamos na Central, em Lorena. Fomos para um barracão mobiliado com centenas de camas, lá ficamos por uma semana e fomos encaminhados ao quartel, onde recebemos fardas, coturnos e fuzis. Às 22 horas, o corneteiro tocava o silêncio. Com saudade, fomos dormir. Chorei pela minha família, por estar distante de meus amigos dos Correios, da “Casa Cardona”, de “A Comarca” e da namorada de Itapira, de quem já gostava muito e não houve tempo para as despedidas. Tive que escrever a ela, explicando tudo e me desculpando; certas circunstâncias são por demais cruéis para um homem sensível, como eu.
Essa foto data de 23/10/1942. Meu pai, Orlando (Pintaca) Bronzatto, Orlando Cestaro (Irmão de Liney Quintino), Aurélio Bueno e Mário Gozzi.