Capítulo 24

Publicado em Sábado, 10 Maio 2008 13:38
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Em 1937, fiz o Tiro de Guerra 435 por mais de um ano, por conta do levante dos comunistas na capital, e tínhamos que fazer a ronda na cidade. Na formatura do TG, contratamos uma grande orquestra de São Paulo, bailamos até as cinco da manhã e as famílias compareceram para nos prestigiar.

 

Em 1939, a convite do então Presidente da Societá Italiana de Mutuo Soccorso di Mogy-Mirim, fui convidado para tomar parte no quadro social daquela entidade que, por decreto do governo federal, passou a chamar-se Associação Mogimiriana de Beneficência, onde atuei como Secretário por muitos anos, acumulando com as funções de programador e gerente do cinema São José. Na minha juventude, organizei muitas festas beneficentes em prol da Vila São Vicente, do Asilo Coronel João Leite e da Casa da Criança. Tomavam parte o Joãozinho Marques Ocari, sua irmã Ângela, Nenete Lima, as irmãs Malheiros, Carlito Marsigli, entre outros. Certo dia em que se comemorava Carlos Gomes, o maestro Souza Britto montou uma orquestra com os músicos da cidade e ensaiou “O Guarany” que, com muito sucesso, apresentou-se no palco do Cine São José, com lotação esgotada. O espetáculo foi bisado na semana seguinte, em julho de 1942, ocasião em que se apresentaram também cômicos e dramáticos. Naquela noite, Nenete Lima havia se desentendido com o noivo e resolveu interpretar o famoso foxtrote “Renúncia”, de Roberto Martins e Mário Rossi, que começava assim: “Hoje não existe nada mais entre nós. Somos duas almas que se devem separar e o meu coração vive chorando...” Ela não conseguiu terminar e acabou na choradeira, em pleno palco. Entrei e salvei a cena. Quase ao fim do espetáculo, ela retornou ao palco e se apresentou com outra música e foi aplaudidíssima, pois era talentosa cantora. O namoro retornou, diga-se de passagem. Eu também cantei três músicas e uma delas, acompanhado de uma das filhas de Malheiros, uma linda mulata, cujo pai deu autorização para que subisse ao palco em minha companhia. Cantaríamos a música “Boneca de Piche”, de Ary Barroso e Luiz Iglézias. Pediram bis naquela noite, que atendemos de pronto, assim: “Da cor do azeviche, da jaboticaba, boneca de piche, é tu que me acaba...” O sucesso da nossa apresentação foi instantâneo e pensei em reprisá-la na semana seguinte, com a anuência do Senhor Malheiros. Mas aconteceu o inusitado. Lembrando mais uma passagem carnavalesca, essa foto é de 1972.  Banda do Lambão, no Grêmio Mogimiriano. Humberto Brasi, Arley Parra, Humberto Quito, Orlando Mazotine (Lambão), o ex-Prefeito Jamil Bacar e Major Mazelli. Agachados: Rubinho Barbosa, Oscar faria, Manoel (Maneco) de Lazari e Paulinho Souza. Agradeço ao amigo Doutor José Rubens da Matta Barbosa, o Rubinho da Banca, pela presteza na identificação dos componentes.